sábado, 1 de julho de 2017

Diâmetro angular do Sol e da Lua

, a alegada coincidência... “hoje”

Na Astronomia e Geometria, diâmetro angular de um objeto é o diâmetro aparente do objeto a um certa distância medido em uma medida de ângulo. Especificamente na Astronomia o diâmetro angular é usado para medir o tamanho de objetos no céu, como vistos da Terra. Pelo conhecimento de sua distância a partir da Terra, com seu diâmetro angular é possível então calcular o seu tamanho real.


www.astronomynotes.com


Recomendamos:




Agora um interessante gráfico com comparações de diâmetros angulares, incluindo os máximos e mínimos da Lua e do Sol, que pode servir de ferramenta até para se ter o diâmetro angular sem necessitar-se de uma medição “no céu”.




Comparação de diâmetro angular do Sol, da Lua e dos planetas. Para se ter uma verdadeira representação dos tamanhos, deve-se ver a imagem a uma distância de 102,6 [= 1 / tan (33.5/60 * pi/180)] vezes a largura do maior círculo (Lua, Moon: max.). Por exemplo, se este círculo é de 10 cm de largura em seu monitor, deve-se vê-lo de 10,26 m.
Ref.: m.teachastronomy.com

No caso da Lua e do Sol, a partir da Terra, como mostrado, uma certa proximidade de valores salta aos olhos.

Nós podemos explicar isso com algumas expressões matemáticas simples:

Diâmetro lunar  / Distância Terra-Lua = Diâmetro solar / Distância Terra-Sol

Se tomarmos os seguintes valores abaixo:

Diâmetro lunar = 3.474 km
Distância Terra-Lua = 376.000 km
Diâmetro solar = 1.400.000 km
Distância Terra-Sol = 149.000.000 km

Então teremos as duas razões similares:

3.474 / 376.000 = 0,009239361 e 1.400.000 / 149.000.000 = 0,009395973


Corrigindo, por dados mais confiáveis:

3474,8 / 384399 = 0,00903956565964 e 1392000 / 149600000 = 0,009304812834225

Referências Wikipédia: Sol ; Lua ; Terra .
A razão entre as duas razões é de 0,971493550777415, uns 3% de serem idênticas.
Esta coincidência numérica é evidenciável bastando-se observar a foto de um eclipse total.

Esta coincidência rende debates pitorescos: www.godlikeproductions.com

Até nossos amigos” criacionistas produzem análises profundas sobre o tema:

Traduzido de: http://www.answersingenesis.org/articles/tba/splendor-of-creation

Por isso, tem o mesmo tamanho angular como o Lua [RefCRIA 1] - parecendo intencionalmente do mesmo tamanho e cobrindo a mesma porção do céu. É interessante que Deus fez os dois dos "grandes luzeiros"[Nota “AI!” deste 1] do mesmo tamanho e angularmente muito maiores (em ângulo) do que qualquer um dos outros objetos celestes.[Nota “AI!” deste 2] Não há nenhuma razão naturalista porque o Sol e a Lua sejam em apenas as distâncias exatas a ter o mesmo tamanho aparente, vistos da Terra.[Nota “AI!” deste 3] Tanto quanto sabemos, a Terra é o único planeta em que este é o caso.[Nota “AI!” deste 4]

Notas “AI!”, porque simplesmente doem, e como doem:

1. Impressionante que os produziu, mas não percebeu ao “psicografar” para o autor do primeiro capítulo de Gênesis que a Lua não ilumina a noite, surgindo durante o dia, decididamente, minha contradição bíblica favorita.

2. Aleluia! Pois imaginemos Sírius do mesmo tamanho do Sol, logo ali na esquina do sistema solar, fazendo  talvez o Sol orbitar e estarmos num sistema mais caótico que o que já nos encontramos, e ainda de brinde a nos torrar com radiação ultravioleta.

3. Ah, Poça D,água, esta incompreendida (by Camila Mano), que aqui poderia ter variações desde um satélite mais denso, embora menor, produzindo as mesmas marés que temos - e perceberemos que seriam as mesmas ao longo deste artigo e outro relacionado, ou uma estrela menor, mais vermelha, a uma distância menor, ou uma levemente maior e pouco mais quente, a uma distância menor.

4. Sim, pois criacionistas, não nos esqueçamos, conhecem todos os planetas do universo em seus menores detalhes, disfarçando aqui sua absoluta humildade [aos portadores da Síndrome de Sheldon Cooper, SARCASMO!] e é uma coisa impressionante que com a diversidade de satélites e distâncias do Sol aos planetas, isso tenha alguma importância, ainda mais depois do que apresentaremos. Mas a paciência é uma virtude. Antes de continuarmos: Dúvida terrível que me atormenta: Não bastaria Jeová escrever seu nome com uma enorme letra hebraica na superfície da Lua, aliás, com uma letra daquelas bem desenhadas, como as que foram aprendidas pelo povo analfabeto com os egípcios?

RefCRIA 1 (Referência Criacionista, onde se encontra revisado por “nossa turma” magníficas argumentações que procurem adequar os dados ao raio que o seja em que acreditamos, destacadamente, ao texto bíblico, por mais delirante no mitológico da Idade do Bronze e contraditório inclusive consigo mesmo que o seja, e dâne-se o restante):

D. Faulkner, “The Angular Size of the Moon and Other Planetary Satellites: An Argument For Design,”Creation Research Society Quarterly 35(1) (June 1998): p. 23–26.

Mas o problema já está ali em cima, com o gráfico que apresentamos, que resulta das medidas apresentadas com certa exatidão que disfarça displicência nos equacionamentos acima.

A Lua apresenta um perigeu de 363.104 km  e um apogeu de 405.696 km. [Lua] Enquanto a Terra apresenta um periélio de 147.098.290 km e um afélio de 152.098.232 km.[Terra]
Aqui, temos o conceito de “elipsidade” das órbitas (as proporções entre a distância máxima e mínima do corpo orbitante até o que está no foco da elipse que é a órbita), que é expresso na Astronomia pelo conceito mais completo de excentricidade.

Com proporções que são relacionadas com o diâmetro angular, um “cruzamento” do perigeu com o afélio, e do apogeu com o periélio, resultando em proporções para quando a Lua esteja mais próxima e o Sol mais distante, comparada quando a Lua está mais distante e o Sol mais próximo, noutras palavras, tomando-se a Lua quando está mais próxima “cruzada” com o Sol quando está mais distante, e o contrário, estes valores dão proporções de:
3474,8 / 363104 = 0,009569710055521 e 1392000/ 152098232 = 0,00915198014925, agora com a razão 1,04564366393492, 4,56%.

(A chamemos de razão “P/A”.)

E subsequentemente:

3474,8 / 405696 = 0,008565033917022 e 1392000 / 147098290 = 0,00946306037956, com a razão 0,905101898696754, -9,49%.

(A chamemos de razão “A/P”.)

Variações bem maiores e distantes cada vez mais do exato e místico 1.

Disto resulta a ocorrência de eclipses anulares ou eclipses em anel: um anel da luminosidade solar que pode ser vista ao redor da Lua, o que é provocado pelo fato do vértice do cone de sombra da Lua não estar atingindo a superfície da Terra, o que pode acontecer se a Lua estiver próxima de seu apogeu. Isso é similar à ocorrência do eclipse penumbral da lua. - isaquenewtonblog.blogspot.com.br

Noutras palavras, muito mais simples, nestes não há o total encobrimento do Sol.


Mas a questão é que tais ângulos são no nosso “tempo histórico”, pois o afastamento da Lua da Terra é tão inegável que serve de argumento até pelos “nossos amigos”:

“O fenômeno é o mesmo que explica o afastamento da Lua em relação à Terra: as marés que a Lua levanta em nossos oceanos estão gradualmente transferindo energia rotacional para o movimento lunar. Como resultado, a cada ano a órbita lunar aumenta cerca de 4 centímetros, e a velocidade de rotação da Terra diminui em 0,000017 segundos.” - criacionistaconsciente.blogspot.com.br

Confessemos: Eles não são realmente úteis?

Pois bem, com tal número (4 cm = 0,04 m = 0,00004 km), o supondo constante no tempo, temos as seguintes proporções nas razões entre perigeu e apogeu, e entre perélio e afélio, estes últimos aqui considerados constantes, mas que não o são, mesmo pela argumentação criacionista, mas tem variação insignificante frente ao muito mais significante afastamento da Lua ao longo da história da Terra para a questão do pregado como miraculoso “encaixe” da Lua com o Sol no céu.



Para os dados acima no formado planilha: Google Drive.
Portanto, percebemos que a “coincidência” se dá apenas em nossa recente habitualidade com observar os céus e fazer medições, e em breve se tornará, talvez, uma vaga lembrança de nossos descendentes, não passando de uma curiosidade, que por sinal, se existisse num passado remoto, não permitiria que a vida tivesse evoluido como evoluiu.


Leitura recomendada

Alteni Fidelis Pimenta, Luiz Danilo Damasceno Ferreira, Germano Bruno Afonso; EVOLUÇÃO DINÂMICA DO SISTEMA TERRA–LUA: UM MODELO SEMI-EMPÍRICO  - PDF


sexta-feira, 23 de junho de 2017

CrossFit e a rabdomiólise exercional


Deixemos bem claro desde o início que de forma alguma o conjunto de técnicas de condicionamento físico chamadas de CrossFit não produzam resultados.

É evidente que produzem, e por sinal, com uma eficiência entre as mais altas do mercado do que seja “fitness”, mesmo entre outras técnicas do chamado “treinamento intervalado de alta-intensidade”.
Resumindo, CrossFit “funciona”, e é mais que natural que funcione, mas...

O problema maior, como bem tratei em diálogos com profissionais de Educação Física, é que seu risco de lesões é bastante alto comparado com outras modalidades de condicionamento físico.

Não a comparemos com “esportes”, que seria outra abordagem, e que poderiam gerar comparações indevidas, como banal exemplo com os ditos “esportes radicais”. Poderia se comparar especialmente à “musculação tradicional”, associada em sua origem ao fisiculturismo, mas mostra-se divergente desta por originária de um misto de técnicas de treinamento para forças especiais de forças armadas e jogadores de futebol americano, entre outras origens, com seus típicos perfis de indivíduos. e diversas outras técnicas com uma certa carga de esforço aeróbico, expresso por repetições no tempo, o que seria para muitos teóricos uma ênfase na “potência”.

Nota: Dois links úteis;

en.wikipedia.org - CrossFit



O palhaço Pukie (Pukie the Clown, de termo relacionado a vômito), um símbolo e parte do marketing da CrossFit. - Pinterest
Como divergente da musculação oriunda do fisiculturismo em todas as suas diversas aplicações em diversas modalidades cada uma com nuances de certos fatores de potência e ênfase em graduações que vão da hipertrofia ao simples tônus muscular, com seus movimentos estritos, esforços concentrados em específicos grupos musculares, até o mais isolados possíveis, etc as técnicas e movimentos do CrossFit possuem movimentos complexos e diria bruscos, com produção de alavancas intensas envolvendo várias articulações, como perigosas flexões da região lombar, por exemplo maior. Mas o enfoque desta publicação, repetimos, não serão lesões “motoras”, articulares especificamente, e sim a questão de uma lesão muscular típica, que se dá ao nível de fibra muscular e no metabolismo celular, da qual encontrei poucas referências em português, e que espero que seja útil aos profissionais relacionados.

Primeiramente, do criticismo ao CrossFit da técnica na Wikipédia em inglês:


Cross Fit  e rabdomiólise exercional

Conceitos iniciais:

Rabdomiólise é uma condição em que o músculo esquelético danificado sofre “quebra” (lise) rapidamente. Os sintomas podem incluir dores musculares, fraquezas, vômitos e confusão. Pode haver escurecimento anormal da urina (cor de chá preto) ou batimentos cardíacos irregulares. Alguns dos produtos de degradação muscular, como a mioglobina protéica, são prejudiciais aos rins e podem levar à insuficiência renal. O tratamento faz-se com fluidos intravenosos e diálise ou hemofiltração se necessários.
O termo exercional advém de exerção, no caso, o exercício muscular.




A relação entre CrossFit e rabdomiólise exercional (de esforço) tem sido objeto de controvérsia para a empresa. Os críticos argumentam que tanto a metodologia da CrossFit quanto o ambiente criado pelos instrutores da CrossFit colocaram os atletas em alto risco para o desenvolvimento da rabdomiólise.[62][63][64]
O praticante Makimba Mimms afirma ter sofrido de rabdomiólise depois de realizar um treino CrossFit em 11 de dezembro de 2005, no Manassas World Gym em Manassas, Virgínia, sob a supervisão de um treinador não certificado.[65] Ele processou com sucesso seus treinadores e recebeu US$ 300.000 em danos.[66] A CrossFit Inc. não foi listada como arguida no processo.[66]
A CrossFit Inc. não contesta que sua metodologia tenha potencial para causar rabdomiólise.[67] A empresa afirma que a rabdomiólise exercional pode ser encontrada em uma grande variedade de esportes e populações de atividades de treinamento e argumenta que seus críticos confundiram a alta consciência de CrossFit da rabdomiólise com alto risco de sua ocorrência.[64][68] Um porta-voz da CrossFit afirmou que "o relatório da ESPN sobre as 53 mortes em triatlos dos EUA de 2007 a 2013 deve ter deixado o assunto em repouso".[68]

Nota deste autor: Aqui entra a questão que não estamos de forma alguma comparando o CrossFit em seus aspectos de modalidade fitness que também assumiu-se competitiva, coisa que por exemplo a dita “aeróbica” (dita especificamente de “alto impacto”, num jargão do meio) tornou-se e foi muito popular a um tempo, coisa que a musculação mesmo nas mais radicais técnicas, como o método “Heavy Duty” do grande fisiculturista Mike Mentzer, consagrado (ainda que com modificações) pelo ainda maior fisiculturista Dorian Yates jamais foi. Neste caso, por modalidade, poderíamos comparar então com o decatlo, pela sua complexidade e abrangência física, que mesmo em décadas não produziu estes resultados, e estamos aqui tratando do aspecto fisiológico de técnica para condicionamento e um dano complexo e claro.
Retornemos:

Desde maio de 2005, a CrossFit, Inc. publicou vários artigos sobre a rabdomiólise na publicação da empresa, o CrossFit Journal.[69][70][71][72] Três dos artigos estão incluídos no Manual CrossFit fornecido a todos os formadores potenciais.[73]
A CrossFit Inc. também foi criticada por ter uma atitude "grosseira" [74] em relação à rabdomiólise, promovendo um personagem conhecido como "Tio Rhabdo" (Uncle Rhabdo, um palhaço de desenhos animados morrendo de forma dramática - ligado a uma máquina de diálise, com os rins e intestinos caindo no chão).[70]     


New York Post

Em resposta a esta crítica, Greg Glassman, fundador da empresa, afirmou: "Introduzimos (tio) Rhabdo porque somos honestos e acreditamos que a divulgação completa do risco é a única coisa ética a fazer".[68]


Agora, especificamente, tratemos da lesão.

Rabdomiólise exercional
A rabdomiólise exercional (aqui, RE, e na literatura em inglês, abreviada como ER, de exertional rhabdomyolysis) às vezes chamada de rabdomiólise induzida pelo exercício é a “quebra” do músculo por esforço físico extremo. É um dos muitos tipos de rabdomiólise que pode ocorrer e, por isso, a prevalência e a incidência exatas não são claras.

Causas
A RE é mais provável de ocorrer quando o exercício extenuante é realizado sob altas temperaturas e umidade.[1] Níveis pobres de hidratação antes, durante e depois de episódios intensos de exercícios também foram relatados como levando a RE.[2] Esta condição e seus sinais e sintomas não são bem conhecidos entre a comunidade de esporte e fitness e, por isso, acredita-se que a incidência seja maior, mas altamente subestimada.[3]
Os riscos que levam a RE incluem o exercício em condições quentes e úmidas, hidratação inadequada, recuperação inadequada entre exercícios físicos, treinamento físico intenso e níveis inadequados de aptidão para exercícios iniciais de alta intensidade.[4] A desidratação é um dos principais fatores que podem propiciar feedback quase imediato do corpo produzindo urina muito escura, uma resposta metabólica e bioquímica.[5]

Mecanismo de lesão
Anatomia
A RE resulta de danos nas proteínas intercelulares dentro do sarcolema. A miosina e a actina se quebram nos sarcômeros quando o ATP não está mais disponível por lesão no retículo sarcoplásmico.[6] O dano ao sarcolemma e ao retículo sarcoplásmico de trauma direto ou alta produção de força causa um alto influxo de cálcio nas fibras musculares, aumentando a permeabilidade ao cálcio. Os íons de cálcio se acumulam nas mitocôndrias, prejudicando a respiração celular.[7] As mitocôndrias são incapazes de produzir ATP suficiente para alimentar a célula corretamente. A redução da produção de ATP prejudica a capacidade das células de extrair cálcio da célula muscular.

Placa de extremidade motora e seus mecanismos bioquímicos.

O desequilíbrio de íons produz enzimas dependentes de cálcio para ativação, o que “quebra” as proteínas musculares ainda mais.[8] Uma alta concentração de cálcio ativa as células musculares, fazendo com que o músculo se contraia enquanto inibe sua capacidade de relaxar.

slideplayer.com

O aumento da contração muscular sustentada leva à depleção de oxigênio e ATP com exposição prolongada ao cálcio. A bomba de membrana da célula muscular pode tornar-se danificada, permitindo que a mioglobina de forma livre flua para a corrente sanguínea.

Estruturas esquemáticas dos mecanismos de actina e miosina - www.devaneylab.org

Fisiologia
A rabdomiólise faz com que a miosina e a actina degenerem em proteínas menores que viajam para o sistema circulatório. O corpo reage aumentando o inchaço intracelular ao tecido danificado para enviar células de reparo à área. Isso permite que a creatina quinase e a mioglobina sejam lavadas do tecido onde ele viaja no sangue até atingir os rins.[9] Além das proteínas liberadas, grandes quantidades de íons, como potássio intracelular, sódio e cloreto, encontram seu caminho para o sistema circulatório. O íon de potássio intracelular tem efeitos deletérios na capacidade do coração de gerar potenciais de ação que levam a arritmias cardíacas.[10] Consequentemente, isso pode afetar a perfusão periférica e central que pode afetar todos os principais sistemas de órgãos no corpo.
Quando a proteína atinge os rins, provoca uma tensão nas estruturas anatômicas reduzindo a sua eficácia como filtro para o corpo. A proteína age como uma barragem quando se forma em agregados apertados quando entra nos túbulos renais.[11] Além disso, o aumento do cálcio intracelular tem maior tempo de ligação devido ao bloqueio que permite a formação de cálculos renais.[12] Como resultado, isso faz com que a produção de urina diminua permitindo que o ácido úrico se acumule no interior do órgão. O aumento da concentração de ácido permite que o ferro da proteína agregada seja liberado para o tecido renal circundante.[13] O ferro, em seguida, retira as ligações moleculares do tecido circundante que, eventualmente, levará a insuficiência renal se o dano tecidual for muito intenso.


Considerações mecânicas
A degeneração muscular da rabdomiólise destrói os filamentos de miosina e actina no tecido afetado. Isso inicia a reação natural do corpo para aumentar a perfusão na área, permitindo um influxo de células especializadas para reparar a lesão. No entanto, o inchaço aumenta a pressão intracelular além dos limites normais. À medida que a pressão se constrói no tecido muscular, o tecido circundante é esmagado contra tecido subjacente e osso.[14] Isso é conhecido como síndrome do compartimento que leva a uma maior morte do tecido muscular circundante ao redor da lesão.[15] À medida que o músculo morre, isso causará dor irradiando da área afetada para o tecido compartimentado. A perda de amplitude de movimento do inchaço também será observada no membro afetado. Junto com a fraqueza da força muscular associada aos músculos envolvidos com a perda de interação do filamento.
A desidratação é um fator de risco comum para a RE porque causa uma redução do volume plasmático durante o esforço. Isso leva a uma redução do fluxo sanguíneo através do sistema vascular que inibe a constrição dos vasos sanguíneos.[16]

Prevenção
Dados militares sugerem os risco de RE são reduzidos através de exercício prolongado de baixa intensidade, em oposição ao exercício de alta intensidade em um período de tempo mais curto. Em todos os programas atléticos, três características devem estar presentes; (1) enfatizando o exercício prolongado de baixa intensidade, em oposição aos exercícios repetitivos de intensidade máxima. (2) Períodos de repouso adequados e uma dieta rica em carboidratos reabastecem as reservas de glicogênio. (3) A hidratação adequada aumentará a depuração renal da mioglobina.[17] Além disso, o exercício em temperatura e umidade acima da média pode aumentar o risco de RE.[18] A RE pode ser evitada aumentando gradualmente a intensidade durante novos regimes de exercícios, hidratação adequada, aclimatação e evitação de diuréticos em tempos de atividade extenuante.[19]

Suplementação
A suplementação de bicarbonato de sódio pode reduzir a mioglobina e prevenir a RE.[20]

Diagnóstico
A RE, como “quebra” de músculo induzida por exercício, resulta em dor muscular, e geralmente é diagnosticada com o teste de mioglobina na urina, acompanhado de altos níveis de creatina quinase (creatine kinase, CK). A mioglobina é a proteína liberada na corrente sanguínea quando o músculo esquelético é lesionado. O teste de urina simplesmente examina se a mioglobina está presente ou ausente. Quando os resultados são positivos, a urina normalmente obtém uma cor marrom escura seguida de avaliação do nível de CK no soro para determinar a gravidade do dano muscular. Os níveis elevados de CK sérica acima de 5.000 U/L que não são causados por infarto do miocárdio, lesão cerebral ou doença geralmente indicam dano muscular grave, confirmando o diagnóstico de ER.[21]

Tratamento
Após a RE ser diagnosticada, o tratamento é aplicado visando: (1) evitar a disfunção renal e (2) aliviar os sintomas. Isso deve ser seguido pelo programa recomendado de reabilitação e prescrição de exercícios (ExRx). O tratamento envolve uma hidratação extensa normalmente feita através da reposição de líquido intravenoso com administração de solução salina normal até que os níveis de CK diminuam para um máximo de 1000 U/L.[22] Um tratamento adequado assegurará a hidratação e normalizará o desconforto muscular (dor), sintomas semelhantes aos de estados gripais, níveis de CK e níveis de mioglobina para que o paciente comece a ExRx.
Embora faltem evidências suficientes, a suplementação com uma combinação de bicarbonato de sódio e manitol é comumente utilizada para prevenir a insuficiência renal em pacientes com rabdomiólise. O bicarbonato de sódio alcaliniza a urina evitando que a mioglobina precipite em túbulos renais. O manitol tem vários efeitos, incluindo vasodilatação da vasculatura renal, diurese osmótica e eliminação de radicais livres.[23]

Recuperação
Antes de iniciar qualquer forma de atividade física, o indivíduo deve demonstrar um nível normal de funcionamento com todos os sintomas anteriores ausentes. A atividade física deve ser supervisionada por um profissional de saúde em caso de recorrência. No entanto, em alguns indivíduos de baixo risco, a supervisão de um profissional médico não é necessária, desde que o indivíduo acompanhe os check ups semanais.[24] A hidratação adequada antes de realizar atividade física e realizar exercícios em ambientes frescos e secos pode reduzir as chances de desenvolver um episódio repetido de RE.[25] Por último, é imperativo que os valores de urina e sangue sejam monitorados, acompanhados de uma observação cuidadosa para a remodelação de quaisquer sinais ou sintomas.
O programa de recuperação se concentra em condicionar/recondicionar progressivamente o indivíduo e melhorar a mobilidade funcional. No entanto, considerações especiais antes de participar no programa de reabilitação incluem a (1) extensão da lesão muscular, se houver (2) nível de aptidão antes do incidente e (3) experiência de musculação.[26] Essas considerações especiais coletivamente são uma forma de avaliar a capacidade do indivíduo para realizar a atividade física, que é, em última instância, usada para especificar o design do ExRx.

Custos médicos
O custo médico real dessa condição é desconhecido e também depende do nível da condição. Em alguns casos, o RE pode levar à insuficiência renal aguda e conduzir a elevados custos médicos devido à necessidade de hemodiálise para recuperação/tratamento.[27]

Referências
1.Huerta-Alardin, Ana L., Joseph Varon, and Paul E. Marik. "Bench-to-bedside: Rhabdomyolysis." Journal of Critical Care 9 (2005): 158-69. Print.
2.Clarkson, Priscilla M. "Exertional Rhabdomyolysis and Acute Renal Failure in Marathon Runners." Sports Medicine 37.4 (2007): 361-63. Print.
3.Clarkson, Priscilla M. "Exertional Rhabdomyolysis and Acute Renal Failure in Marathon Runners." Sports Medicine 37.4 (2007): 361-63. Print.
4.Line, Robin L., and George S. Rust. Acute Exertional Rhabdomyolysis. Aug. 1995 Consultado em 22 Jan. 2014.
5.Demos, M. A., E. L. Gitin, and L. J. Kagen. "Exercise Myoglobinemia and Acute Exertional Rhabdomyolysis." Archives of Internal Medicine 134.4 (1974): 669-73. Print.
6.Efstratiadis G, Voulgaridou A, Nikiforou D, Kyventidis A, Kourkouni E, Vergoulas. Rhabdomyolysis Updated. Hippokratio General Hospital of Thessaloniki. 2007 Jul-Sep; 11(3): 129-137. PMCID: PMC2658796
7.Armstrong, RB. Mechanisms of Exercise-Induced Delayed Muscle Onset musclular soreness: A brief review. Medicine and science in Sports and Exercise vol. 16 No6 pp 529-538 1984.
8.Hilbert JE, Sforzo, GA, Swensen T. The Effects of massage on Delayed Onset Muscle Soreness! Br J Sports Med 2003;37:72-75 doi:10.1136/bjsm.37.1.72.
9.Thomas, J. Crowhurst, T. “Exertional Heat Stroke, rhabdomyolsis and susceptibility to malignant hyperthermia.” Internal Medicine Journal 43.9 (2013): 1035-1038. Web. 25 Jan 2014.
10.Chatzizisis, Yiannis S. Misirli, Gesthimani. et al. “The Syndrome of Rhabdomyolsis: Complication and Treatment.” European Journal of Medicine 19.8 (2008): 568-574. Web. 25 Jan 2014.
11.Chatzizisis, Yiannis S. Misirli, Gesthimani. et al. “The Syndrome of Rhabdomyolsis: Complication and Treatment.” European Journal of Medicine 19.8 (2008): 568-574. Web. 25 Jan 2014.
12.Rodriguez, Eva. Solar, Maria J. et al. “Risk Factors for Acute Kidney Injury in Severe Rhabdomyolsis.” PLOSONE 10.1371 (2013). Web. 25 Jan 2014.
13.Poortsmans, JR. Vanderstraten, J. “Kidney function during exercise in healthy and diseased human. An Update.” Sports Medicine 18.6 (1994): 419-437. Web. 25 Jan 2014.
14.Davis, DE. Raikin, S. et al. “Characteristics of patients with chronic exertional compartment syndrome.” Foot & Ankle International 34.10 (2013): 1349-1354. Web. 25 Jan 2014.
15.Cleary Michelle A, Sitler Michael, Kendrick Zebulon. Dehydration and Symptoms of Delayed-! Onset Muscle Soreness in Normothermic Men National Athletic Trainers’ Association. J Athl Train. 2006; 41(1) 36-45 PMCID:PMC1421497!
16.Line, Robin L. Rust, George S. “Acute Exertional Rhabdomyolysis.” American Academy of Family Physicians. August, 1995
17.Cleary, Michelle. “Dehydration, Cramping, and Exertional Rhabdomyolysis: A Case Report With Suggestions for Recovery.” Journal of Sport Rehabilitation 16:3 (2007) : 244-259
18.Rod, Hammer. “When exercise goes awry: Exertional rhabdomyolysis.” Southern Medical Journal 90:5 (1997) : 458
19.Pearcey, Gregory, et al. “Exertional Rhabdomyolysis in an Acutely Detrained Athlete/Exercise Physiology Professor.” Clinical Journal of Sport Medicine 23:6 (2013) : 496-498
20.Baird, M., F., Graham, S., M., Baker, J., S., & Bikerstaff, G., F. (2012). Creatine kinase and exercise related muscle damage implications for muscle performance and recovery. J of Nutrition & Metabolism, 201, 2-14
21.Sauret, J. M., Marinides, G., & Wang, G. K. (2002). Rhabdomyolysis. Am Fam Physician, 65(5), 907-913. Consultável em: www.charlydmiller.com
22.Brown, Carlos, et al. “Preventing Renal Failure in Patients with Rhabdomyolysis: Do Bicarbonate and Mannitol Make a Difference?” Journal of Trauma, Injury, Infection, and Critical Care. 56:6 (2004) : 1191-1196
23.O’Conner, F. G., Brennan, Jr. F. H., Campbell, W., Heled, Y., & Deuster, P. (2008). Return to physical activity after exertional rhabdomyolysis. American College of Sports Medicine, 7(6), 328-331.
24.O’Conner, F. G., Brennan, Jr. F. H., Campbell, W., Heled, Y., & Deuster, P. (2008). Return to physical activity after exertional rhabdomyolysis. American College of Sports Medicine, 7(6), 328-331.
25.Cleary, M., Ruiz, D., Eberman, L., Mitchell, I., & Binkley, H. (2007). Dehydration, cramping, and exertional rhabdomyolysis: A case report with suggestions for recovery. Journal of Sport Rehabilitation, 16, 244-259.
26.Demos, M. A., E. L. Gitin, and L. J. Kagen. "Exercise Myoglobinemia and Acute Exertional Rhabdomyolysis." Archives of Internal Medicine 134.4 (1974): 669-73. Print.

63."The disease attacking super fit athletes". Stuff. Consultado em 2016-01-18.
64."CrossFit: Can the Popular Extreme Workout Be Dangerous?". ABC News. Consultado em 2016-01-18.
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Leituras adicionais

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SANTOS, Daiane Ellen dos PAULA,Fernanda Cardili de ; RABDOMIÓLISE EM EQUINOS; REVISTA CIENTÍFICA ELETRÔNICA DE MEDICINA VETERINÁRIA – ISSN: 1679-7353 Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia de Garça – FAMED/FAEF - Editora FAEF, Ano VII – Número 12 – Janeiro de 2009 – Periódico Semestral - faef.revista.inf.br
Filha de Bombom e Dudu Nobre desmaia em academia e é internada -
Segundo a apresentadora, Olívia Soares está com suspeita de arritmia cardíaca. Adolescente está internada no Barra D´or, no Rio. - ego.globo.com

Malhação pesada é para poucos
Incidente com filha de Adriana Bombom e Dudu Nobre em sessão de crossfit reacende o debate sobre limites na busca pela forma ideal 07/04/2017 - TABATA UCHOA - odia.ig.com.br

Crossfit e musculação atraem as adolescentes, mas é preciso cuidado -
Nessa idade, o corpo da menina é mais frágil e ainda está em crescimento. Exercícios de alta intensidade e peso podem ser perigosos - www.correiobraziliense.com.br

Crossfit: veja os prós e contras ao praticar o esporte do momento - Toda prática esportiva tem risco de lesão. Criticado por muitos, o crossfit traz benefícios desde que feito da forma correta e com acompanhamento técnico e profissional. Respeitar os limites de cada aluno é regra básica - Lilian Monteiro, 16/04/2017 - www.uai.com.br

Médico não recomenda prática do crossfit nem para atletas bem condicionados - 25/03/2016 - A despeito de polêmica, muitas academias minimizam estudos que criticam a atividade - www.jornalopcao.com.br

Eric Robertson; CrossFit’s Dirty Little Secret - Everyone has an uncle they’d rather you not meet. - medium.com

Can CrossFit kill you? - News.com.au - September 22, 2013 - nypost.com

THE CASE OF MAKIMBA MIMMS – AN EXAMPLE OF THE WORST OF CROSSFIT

Why Pukie The Clown Isn’t Funny; Chet Morjaria - breakingmuscle.com